Uso de substâncias e sofrimento emocional quando a fuga vira prisão - psicologos 24 horas

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Psicólogo Flaviano Jaime  da Silva CRP 56349 Formaçôes: Psicólogo Formado pela Universidade Veiga de Almeida RJ Pós Graduado em Terapia Cognitivo Comportamental Contato email: flavianospsi@gmail.com Telefone 021 96626 7379

Quando a dor emocional fica muito forte, muitas pessoas procuram uma forma rápida de aliviar. Algumas bebem. Outras usam maconha, cocaína, calmantes sem orientação, estimulantes, opioides, remédios prescritos de modo diferente do indicado ou outras substâncias. No começo, pode parecer que aquilo ajuda. A ansiedade diminui por algumas horas, a tristeza fica abafada, a vergonha parece menor, o corpo relaxa, a mente desacelera ou a pessoa sente coragem para enfrentar situações difíceis.O problema é que uma fuga pode virar prisão. A substância que parecia oferecer alívio começa a ocupar mais espaço. A pessoa passa a usar para dormir, socializar, esquecer, trabalhar, sentir prazer, aguentar uma crise, suportar uma lembrança ou preencher um vazio. Aos poucos, a vida fica organizada em torno do uso: quando usar, onde conseguir, como esconder, como se recuperar, como lidar com culpa, como evitar abstinência, como prometer parar e como lidar com a frustração quando não consegue.

Falar sobre uso de substâncias exige cuidado. Não ajuda chamar a pessoa de fraca, sem vergonha ou perdida. Também não ajuda fingir que está tudo bem quando há prejuízo. O uso problemático costuma ter uma função: aliviar alguma coisa, evitar alguma coisa, pertencer a algum grupo, suportar alguma dor ou buscar alguma sensação que a vida deixou de oferecer. Entender essa função não significa justificar o risco. Significa encontrar um caminho mais realista para mudar.

Quando o uso deixa de ser apenas ocasional?

Nem toda pessoa que usa uma substância tem um transtorno. O problema começa quando o uso passa a trazer prejuízos, perda de controle, risco, sofrimento ou dependência. Isso pode acontecer de forma rápida ou aos poucos. Muitas vezes, a pessoa demora a perceber porque vai se adaptando: aumenta a quantidade, muda horários, cria desculpas, evita certas pessoas, esconde sinais e tenta acreditar que ainda controla tudo.

Um sinal importante é usar mesmo quando há consequências negativas. A pessoa briga com familiares, falta ao trabalho, gasta dinheiro que não pode, piora o sono, se envolve em situações perigosas, dirige sob efeito, se arrepende no dia seguinte, tem crises de ansiedade, se isola ou percebe queda no desempenho, mas continua usando.

Outro sinal é usar para funcionar. A substância deixa de ser algo eventual e passa a parecer necessária. A pessoa pensa: “preciso disso para dormir”, “preciso disso para relaxar”, “preciso disso para conversar”, “preciso disso para esquecer”, “preciso disso para aguentar meu dia”. Quando o uso vira condição para viver situações comuns, há um alerta importante.

Também preocupa quando a pessoa tenta reduzir e não consegue. Ela promete parar na segunda-feira, ficar um mês sem usar, usar apenas no fim de semana ou só em pequena quantidade. Consegue por algum tempo, mas volta ao padrão antigo, muitas vezes com culpa e vergonha. Isso não significa falta de valor pessoal. Significa que o ciclo pode estar mais forte do que a intenção consciente.

A substância como tentativa de aliviar emoções

Muitas pessoas usam substâncias porque não sabem como atravessar certas emoções. A ansiedade parece insuportável. A tristeza parece sem fim. A raiva parece grande demais. A vergonha parece queimar. O vazio parece assustador. A substância entra como um atalho: muda o estado interno rapidamente.

Esse alívio rápido ensina o cérebro. Se uma pessoa sente ansiedade social, usa uma substância e consegue falar mais, o cérebro registra: “isso me ajuda”. Se sente tristeza, usa e para de chorar, registra: “isso tira a dor”. Se tem lembranças traumáticas, usa e fica anestesiada, registra: “isso me protege”. O problema é que, com o tempo, a pessoa aprende a depender desse atalho e perde oportunidades de desenvolver outras formas de lidar com emoções.

O uso também pode piorar o próprio sofrimento que tenta aliviar. Substâncias podem alterar sono, humor, apetite, impulsividade, memória, relações e julgamento. Podem aumentar ansiedade no dia seguinte, intensificar depressão, provocar irritabilidade, favorecer crises de pânico, piorar conflitos familiares e aumentar risco de automutilação ou pensamentos suicidas.

Assim, a pessoa usa para sofrer menos, mas depois sofre por causa do uso. E, para aliviar esse novo sofrimento, usa novamente. Esse é um dos ciclos mais difíceis: a solução de curto prazo vira combustível do problema de longo prazo.

O ciclo da fuga

O ciclo geralmente começa com um gatilho. Pode ser uma emoção, uma pessoa, um lugar, um horário, uma lembrança, uma cobrança, uma dor física, uma discussão, uma sensação de fracasso ou até um momento de tédio. A mente antecipa o alívio: “se eu usar, vou ficar melhor”.

Depois vem a fissura, ou vontade intensa. A pessoa começa a negociar consigo mesma: “só hoje”, “eu mereço”, “foi um dia difícil”, “vou usar pouco”, “depois eu paro”, “ninguém vai saber”. Esses pensamentos não aparecem por acaso. Eles fazem parte do caminho que leva ao uso.

Então vem o uso e, muitas vezes, o alívio. A ansiedade baixa, a dor fica menor, o corpo relaxa ou a pessoa se sente temporariamente mais viva. Mas depois aparecem consequências: culpa, ressaca, gasto, briga, risco, queda de energia, vergonha, problemas de saúde, abstinência, medo de ter sido descoberto ou sensação de fracasso.

Essas consequências geram mais sofrimento. E o sofrimento acende outro gatilho. Se nada muda no ciclo, a pessoa volta ao uso. Por isso, um cuidado eficaz não olha apenas para a substância, mas para tudo que acontece antes e depois dela.

Análise funcional: entender antes de mudar

Uma ferramenta muito útil no tratamento é a análise funcional. Ela observa a sequência do comportamento: o que acontece antes do uso, o que a pessoa usa, como usa, com quem usa, o que sente logo depois e quais consequências aparecem mais tarde.

Por exemplo, uma pessoa pode perceber que usa mais quando chega em casa sozinha depois do trabalho. Outra usa depois de brigas. Outra usa quando sente dor física. Outra usa quando recebe dinheiro. Outra usa quando encontra certos amigos. Outra usa quando se sente rejeitada. Outra usa quando está muito ansiosa em ambientes sociais.

Esse mapa tira o problema do campo da culpa vaga e coloca no campo do cuidado concreto. Em vez de “eu sou um desastre”, a pessoa começa a ver: “quando estou sozinho, cansado, com dinheiro disponível e sem plano para a noite, o risco aumenta”. Isso permite criar estratégias.

Algumas situações de alto risco podem ser evitadas no começo. Outras não podem ser evitadas e precisam ser administradas. Se a pessoa precisa passar por um local onde costumava comprar substância, talvez precise mudar o caminho. Se não pode evitar uma emoção, precisa ter uma alternativa para atravessá-la. Se determinados contatos aumentam risco, talvez precise limitar acesso. Se o uso acontece por solidão, precisa construir rede e rotina.

Fissura: a vontade forte que parece ordem

A fissura é uma vontade intensa de usar. Ela pode vir como pensamento, sensação corporal, irritação, inquietação, lembrança do prazer, imagem mental ou impulso. No pico, parece uma ordem. A pessoa sente que não vai aguentar se não usar.

Mas fissura é uma onda. Ela sobe, atinge um pico e desce. Nem sempre desce rápido, mas muda. O desafio é atravessar o pico sem obedecer. Para isso, é útil ter estratégias prontas, porque na hora da fissura a mente tende a justificar o uso.

Algumas estratégias incluem sair do local de risco, ligar para alguém, tomar banho, comer algo, caminhar, beber água, fazer uma atividade curta, ir a um lugar público seguro, praticar respiração, escrever o que está sentindo, revisar uma lista de motivos para mudar ou procurar atendimento. Para algumas pessoas, ajuda adiar: “não vou decidir agora; vou esperar vinte minutos”. Depois mais vinte.

Também é importante não testar limites cedo demais. A pessoa pode pensar: “vou só encontrar meus amigos, mas não vou usar” ou “vou só passar perto”. Em fase de mudança, isso pode ser arriscado. Evitar gatilhos não é fraqueza; pode ser proteção enquanto novas habilidades são construídas.

Substâncias e ansiedade

A ansiedade é uma das razões mais comuns para o uso. A pessoa pode usar para reduzir medo, tensão, pânico, vergonha, preocupação ou insônia. O alívio imediato pode parecer convincente. Mas, com o tempo, a ansiedade pode ficar mais forte.

Se alguém usa para lidar com ansiedade social, pode deixar de aprender que consegue conversar sem substância. Se usa para pânico, pode continuar acreditando que suas sensações corporais são perigosas e que só consegue ficar bem com ajuda química. Se usa para dormir, pode piorar a qualidade do sono e aumentar ansiedade no dia seguinte. Se usa para preocupação excessiva, pode evitar resolver problemas reais ou desenvolver tolerância à incerteza.

O cuidado precisa tratar a ansiedade junto. Se a pessoa apenas tenta parar de usar, mas continua sem recursos para lidar com crises, o risco de recaída aumenta. Ela precisa aprender a respirar, pedir ajuda, enfrentar gradualmente situações, questionar pensamentos catastróficos, tolerar emoções e reconstruir rotina.

Tratar ansiedade e uso de substâncias de modo integrado pode ser muito importante. Quando um problema alimenta o outro, cuidar de apenas um lado deixa a pessoa vulnerável.

Substâncias e depressão

A depressão também pode levar ao uso. A pessoa usa para sentir algo, para não sentir nada, para dormir, para fugir de pensamentos, para suportar solidão ou para ter alguns minutos de prazer. O problema é que muitas substâncias pioram o humor depois, aumentam cansaço, reduzem motivação e aprofundam isolamento.

Quando há depressão, a pessoa pode ter menos energia para buscar ajuda, comparecer a sessões, organizar rotina ou resistir à fissura. Também pode pensar: “não adianta”, “eu já estraguei tudo”, “não consigo mudar”. Esses pensamentos reduzem esperança e aumentam risco de voltar ao uso.

Por isso, a recuperação precisa incluir ativação comportamental, apoio social, tratamento da depressão, cuidado com sono e redução da autocrítica. A pessoa precisa reconstruir fontes de prazer e sentido que não dependam da substância. Isso pode ser difícil no começo, porque a vida parece sem graça. Mas prazer saudável pode ser reaprendido aos poucos.

Se há pensamentos de morte, automutilação ou uso de substâncias em momentos de desespero, o risco aumenta. Nesses casos, é necessário procurar ajuda imediata. Não é seguro enfrentar sozinho uma mistura de depressão intensa, substância e impulso de se machucar.

Substâncias e trauma

Pessoas que passaram por trauma podem usar substâncias para lidar com lembranças, pesadelos, hiperalerta, culpa, vergonha ou sensação de ameaça constante. A substância pode parecer uma forma de desligar o corpo e a memória. Mas, no longo prazo, pode impedir o processamento do trauma e aumentar riscos.

Quando o trauma não é cuidado, os gatilhos continuam aparecendo. A pessoa usa para não lembrar, mas os gatilhos voltam. Usa para dormir, mas os pesadelos continuam. Usa para reduzir hiperalerta, mas acorda mais vulnerável. Usa para aliviar vergonha, mas depois sente mais vergonha por ter usado.

O tratamento precisa ser sensível ao trauma. Isso significa criar segurança, estabilizar risco, desenvolver habilidades e, quando a pessoa estiver preparada, trabalhar as memórias traumáticas com abordagem adequada. Em alguns casos, o uso de substâncias precisa ser estabilizado para que o trauma possa ser tratado com segurança. Em outros, os dois cuidados caminham juntos, dependendo do caso.

O mais importante é que a pessoa não seja tratada como alguém “sem força”. Muitas vezes, ela está tentando sobreviver a uma história muito dolorosa. O cuidado ajuda a encontrar formas de sobreviver que não destruam o presente.

Substâncias, dor crônica e medicamentos

Dor crônica pode aumentar o risco de uso problemático de substâncias, especialmente quando a pessoa usa remédios ou outras substâncias para suportar dor física e sofrimento emocional. Isso não significa que todo uso de medicação para dor seja problema. Medicamentos podem ser necessários e legítimos quando prescritos e acompanhados. O risco aparece quando há uso fora da orientação, aumento por conta própria, mistura com álcool, busca de sedação emocional ou perda de controle.

Quem sente dor crônica pode ficar desesperado por alívio. Se uma substância reduz a dor por um tempo, é compreensível que a pessoa queira repetir. Mas, sem acompanhamento, isso pode levar a tolerância, dependência, abstinência, piora funcional e maior sofrimento.

Nesses casos, o cuidado precisa integrar medicina, psicologia e, quando indicado, fisioterapia, psiquiatria e outros recursos. A pessoa precisa de manejo da dor, mas também de estratégias para medo, catastrofização, sono, ansiedade, depressão e ritmo de atividades.

A pergunta não deve ser “a dor é real ou é emocional?”. A dor é real. A pergunta deve ser: “como cuidar da dor e do sofrimento sem criar uma nova prisão?”.

Vergonha e segredo: dois combustíveis do ciclo

O uso problemático de substâncias costuma crescer no segredo. A pessoa esconde quantidade, horários, dinheiro gasto, recaídas, sintomas, dívidas e riscos. A vergonha diz: “ninguém pode saber”. O segredo impede ajuda. Sem ajuda, o ciclo fica mais forte.

Contar para alguém pode ser assustador. A pessoa teme julgamento, bronca, abandono ou punição. Por isso, é importante escolher alguém minimamente seguro: um profissional, familiar confiável, amigo cuidadoso, grupo de apoio ou serviço de saúde.

Falar não precisa começar com uma confissão perfeita. Pode ser simples: “estou usando mais do que queria”, “não estou conseguindo parar”, “uso quando fico ansioso”, “tenho vergonha, mas preciso de ajuda”. Essa primeira abertura pode quebrar o isolamento.

Quem escuta deve evitar humilhar. Dizer “eu sabia”, “você acabou com tudo”, “você é fraco” tende a aumentar defesa. Uma resposta melhor é: “obrigado por me contar”, “isso é sério, mas tem tratamento”, “vamos procurar ajuda”, “o que precisamos fazer hoje para reduzir risco?”.

Tratamento não é igual para todo mundo

O cuidado depende da substância, da gravidade, da frequência, dos riscos, da saúde física, da presença de abstinência, do apoio familiar, de transtornos associados e dos objetivos iniciais. Algumas pessoas precisam de atendimento ambulatorial. Outras precisam de tratamento intensivo, internação, desintoxicação médica, grupos de apoio, psiquiatria, psicoterapia ou combinação de vários recursos.

Em algumas situações, parar de repente pode ser perigoso, especialmente em uso intenso de álcool, benzodiazepínicos e algumas outras substâncias. Sintomas de abstinência podem exigir cuidado médico. Por isso, se o uso é diário, alto, prolongado ou acompanhado de tremores, suor, convulsões, confusão, alucinações, agitação intensa ou mal-estar importante ao reduzir, procure avaliação médica.

A terapia cognitivo-comportamental para uso de substâncias costuma trabalhar análise funcional, identificação de gatilhos, prevenção de recaída, habilidades para fissura, mudança de pensamentos, reorganização de rotina, comunicação, solução de problemas e construção de fontes saudáveis de reforço.

Entrevista motivacional pode ajudar quando a pessoa está dividida. Uma parte quer mudar; outra parte teme perder o alívio. Essa ambivalência é comum. O tratamento não precisa começar com certeza absoluta. Pode começar com honestidade: “não quero continuar assim, mas tenho medo de parar”.

Reconstruir uma vida que concorra com a substância

Uma ideia essencial é que a vida precisa voltar a ter fontes de prazer, vínculo, descanso e sentido que não dependam do uso. Se a substância é a única coisa que dá alívio, pertencimento ou emoção, abandoná-la parece perder tudo. Por isso, o tratamento precisa ajudar a construir alternativas reais.

Isso pode incluir retomar relações saudáveis, encontrar atividades prazerosas, cuidar do corpo, regular sono, voltar a estudar ou trabalhar aos poucos, fazer atividade física possível, participar de grupos, desenvolver hobbies, reorganizar finanças, reparar relações e criar ambientes menos ligados ao uso.

No começo, essas alternativas podem parecer sem graça. O cérebro acostumado a recompensas rápidas pode demorar a responder a prazeres mais simples. Isso não significa que eles não funcionem. Significa que o sistema de recompensa precisa de tempo para reaprender.

A abordagem de reforço comunitário trabalha justamente essa ideia: reorganizar o estilo de vida para que uma vida mais saudável e livre de drogas seja mais gratificante e possa competir com o reforço do uso. Em linguagem simples, não basta tirar a substância; é preciso devolver vida.

Recaída não precisa ser fim do caminho

Recaídas podem acontecer. Isso não significa que a pessoa perdeu tudo ou que o tratamento não funciona. O mais importante é o que acontece depois. Uma recaída pode virar retorno ao ciclo antigo ou pode virar informação para ajustar o plano.

Depois de uma recaída, é útil perguntar: o que aconteceu antes? Eu estava cansado, sozinho, com raiva, triste, com dinheiro, em local de risco, sem sono, sem apoio? Que pensamento autorizou o uso? O que eu poderia ter feito antes? Quem eu poderia ter chamado? Que mudança preciso fazer agora?

A vergonha costuma dizer: “já estraguei tudo, então tanto faz”. Esse pensamento é perigoso. Um episódio de uso não precisa virar uma semana, um mês ou uma volta completa ao padrão antigo. Quanto mais cedo a pessoa retoma o plano, menor o prejuízo.

Prevenção de recaída não significa nunca cair. Significa reconhecer riscos, agir cedo, aprender com quedas e construir uma rede que ajude a voltar mais rápido.

Quando procurar ajuda com urgência?

Procure ajuda imediatamente se houver overdose, perda de consciência, confusão, dificuldade para respirar, dor no peito, convulsão, alucinações, mistura de substâncias, comportamento violento, risco de suicídio, automutilação, intoxicação grave ou sintomas fortes de abstinência.

Também procure ajuda com prioridade se você usa mesmo querendo parar, se mente ou esconde, se perdeu controle da quantidade, se está usando para lidar com ansiedade ou depressão, se dirige sob efeito, se tem problemas no trabalho ou na família por causa do uso, se mistura com remédios, se se coloca em risco ou se pessoas próximas estão preocupadas.

Se o sofrimento está intenso e você sente que pode usar para fugir de uma crise, conversar com um psicólogo 24 horas online pode ajudar a atravessar o momento, organizar pensamentos e escolher um passo mais seguro. Em caso de risco físico, intoxicação, abstinência grave ou risco de vida, procure atendimento presencial de urgência.

Como familiares podem ajudar sem alimentar o ciclo?

Familiares muitas vezes vivem entre medo, raiva e esperança. Podem tentar controlar, vigiar, salvar, ameaçar ou fingir que nada acontece. Nenhum extremo costuma funcionar bem. A pessoa precisa de apoio, mas também de limites.

Apoiar pode significar incentivar tratamento, acompanhar consultas, retirar-se de situações perigosas, não oferecer dinheiro para uso, não encobrir consequências graves, ajudar a construir rotina, reconhecer avanços e manter comunicação clara. Limite não é abandono. Limite é dizer: “eu quero ajudar você, mas não vou ajudar a substância a continuar mandando”.

Também é importante evitar discussões longas quando a pessoa está intoxicada. Nesses momentos, a capacidade de conversa está prejudicada. A prioridade deve ser segurança. Conversas importantes devem acontecer quando a pessoa estiver sóbria e mais capaz de escutar.

Familiares também podem precisar de apoio. Viver com o uso problemático de alguém é desgastante. Grupos, terapia e orientação profissional podem ajudar a reduzir culpa, codependência, medo e exaustão.

Mudar é possível, mas ninguém precisa fazer isso sozinho

O uso de substâncias pode começar como fuga, mas virar prisão. Ainda assim, prisões podem ter portas. A saída costuma exigir mais do que força de vontade. Exige cuidado, plano, apoio, tratamento, mudanças de ambiente, novas habilidades e uma vida que volte a ter sentido sem a substância.

A pessoa não precisa esperar perder tudo para pedir ajuda. Se já percebe que usa para não sentir, para dormir, para socializar, para esquecer, para aguentar ou para não entrar em crise, esse já é um sinal suficiente para conversar com um profissional.

Também não precisa ter certeza total de que quer parar para começar. Pode começar dizendo: “uma parte de mim quer mudar e outra tem medo”. Essa frase já é um começo honesto.

Sofrimento emocional merece cuidado. Uso problemático de substâncias também. Quando os dois estão juntos, o tratamento precisa olhar para a pessoa inteira: sua dor, sua história, seus vínculos, seus riscos, seus desejos e sua possibilidade de reconstrução. A substância pode ter sido uma tentativa de sobreviver. Agora, o cuidado pode ajudar a encontrar formas de viver.

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Referências bibliográficas

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